Agricultura e Greenhouse

Limitar o efeito estufa através de práticas agrícolas

A agricultura gera cerca de 35% das emissões de gases de efeito estufa. Uma das soluções recomendadas para limitar essas emissões é adotar métodos de cultivo favoráveis ​​ao armazenamento de carbono no solo e à redução das emissões de metano e óxido nitroso, constituindo o conjunto o "seqüestro de carbono". No IRD, os pesquisadores quantificam a emissão e o armazenamento de gases de efeito estufa em solos cultivados em regiões tropicais. Com seus parceiros locais (1), eles mostraram os benefícios de passar de uma colheita de cana com queima para uma colheita sem queima no Brasil. Ao propor alternativas culturais viáveis, estudos quantitativos podem permitir que países com forte vocação agrícola participem da limitação do efeito estufa.

Mais de um terço dos gases de efeito estufa emitidos para a atmosfera provém de atividades agrícolas e florestais. Uma das preocupações atuais é encontrar maneiras de gerenciar a agricultura de maneira diferente, a fim de aumentar o armazenamento de carbono nos solos e limitar as emissões de gases que contribuem para o aquecimento global da atmosfera. As plantas, através da fotossíntese, assimilam o dióxido de carbono na forma de carbono vegetal, parte da qual (raízes e resíduos das culturas) é devolvida ao solo e armazenada de forma estável na matéria orgânica. As quantidades de carbono armazenadas no solo provêm de práticas culturais e da natureza do solo. No entanto, algumas práticas agrícolas (fertilização, irrigação, etc.) promovem emissões de outros gases de efeito estufa, como metano e óxido nitroso. Entre as alternativas de manejo propostas, recomenda-se a ausência de aração e o cultivo sob cobertura vegetal. Os pesquisadores do IRD favorecem uma avaliação quantitativa de campo das alternativas de manejo agrícola e florestal em regiões tropicais. No Brasil, eles e seus parceiros locais (1) destacaram as vantagens de mudar da colheita tradicional de cana-de-açúcar para a prática de não queimar.

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Neste país, o cultivo de cana-de-açúcar abrange cerca de 5 milhões de hectares e produz o 10 a partir de 15 toneladas de folhas (matéria seca) por hectare por ano. A colheita tradicional, manual, é feita após a queima da cana a pé. A queima das folhas transforma imediatamente o carbono da planta em dióxido de carbono e metano, enriquecendo a atmosfera. Também causa emissões de óxido nitroso, derivadas de uma porção do nitrogênio da planta. No entanto, o metano e o óxido nitroso têm um alto potencial de aquecimento global, respectivamente, 20 e 300, vezes maiores que o dióxido de carbono. Além disso, a queima de campo libera compostos potencialmente tóxicos, poluindo as cinzas carbonáceas e, devido à falta de lixo, promove a erosão do solo. Uma alternativa para esse tipo de manejo da terra é a não queima, mas essa prática requer colheita mecanizada (2). Neste caso, as folhas são deixadas na cobertura morta no chão. Uma parte importante (80 a 90%) retorna, por decomposição, na forma de dióxido de carbono na atmosfera durante o ano seguinte. O restante (10 a 20%) pode acumular-se como lixo ou ser incorporado nos primeiros centímetros do solo, aumentando assim o estoque de carbono.

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O estudo comparativo e quantitativo desses dois métodos de manejo, realizado durante um período de anos 3 a 6, mostra que a adoção de não queimaduras induz nos primeiros anos um aumento do armazenamento de carbono nos solos e uma redução de emissões. total de óxidos nitrosos e metano. A quantidade média de lixo produzido em um ano foi estimada em 10,4 tonelada por hectare, o que representa cerca de 4,5 toneladas de carbono. Assim, nos primeiros 20 cm de solo, até 1,6 toneladas de carbono adicional, em comparação com o modo tradicional com queimaduras, são armazenadas durante os primeiros quatro anos de cultivo. Embora pouca diferença seja observada para as emissões de metano e óxido nitroso medidas na superfície do solo, a ausência de queima das folhas permite evitar a emissão de uma quantidade significativa desses gases no solo. atmosfera.

No geral, o armazenamento de carbono no solo e a limitação das emissões gasosas levam a um ganho líquido anual de 1837 kg de equivalente de carbono armazenado e / ou não emitido. De fato, se todas as áreas cultivadas para cana-de-açúcar no Brasil fossem gerenciadas como não queimadas, o seqüestro anual de carbono representaria aproximadamente 15% das emissões atribuíveis ao uso de combustíveis fósseis no país.

Além disso, esse modo de colheita parece ser benéfico para a atividade e diversidade da fauna do solo. As práticas tradicionais induzem uma queda acentuada na diversidade e biomassa da vida selvagem, em comparação com o solo que existia antes do cultivo da cana-de-açúcar. Mas três anos de manejo de corte e queima são suficientes para restaurar a diversidade e a atividade da vida selvagem igual à do solo original. A adoção de não queima no Brasil, que beneficia a saúde humana e o meio ambiente, poderia, portanto, permitir que o país participasse da limitação do efeito estufa, ou até mesmo ingressasse no mercado internacional de carbono posteriormente. No entanto, essa prática, que envolve a mudança da colheita manual para a colheita mecanizada, implica um investimento financeiro significativo e uma perda significativa de empregos.
Fonte: Marie Guillaume

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